não ouvia bem? barulho não faltava! parecia sino. em meus ouvidos nomes dos companheiros que me precederam: fulano era tão forte, outro tão bravo, beltrano iluminado; e todos eles perdidos! cada toque valia anos. "a razão de o sábio ser grande reside na grande alma que possui." lá estavam, enfileirados na encosta, reunidos a ver meu fim, moldura viva de mais um quadro! em um lençol de fogo eu os vi e os reconheci. no entanto, intrépido, com o trompete aos lábios, toquei. criança de renome na torre sombria. "trate seus inferiores como desejaria ser tratado por seus superiores." soprai meus pensamentos no universo, qual folhas murchas que fazem nascer! e, pela encantação deste poema, espalhai, como as cinzas e as fagulhas da lareira acesa, minhas palavras mundo afora! que soprem os meus lábios o trompete da profecia! ó, vento, sendo ora inverno, tarda a primavera? "uma vez que se começa a discutir a questão amplamente, pode-se chamar de feliz aquele que, graças à razão, não deseja nem teme."
quinta-feira, 3 de outubro de 2024
04 on releituras de poemas de horror
como se fogo me queimasse, vi: esse era o local! dois montes à direita, como touros chifrando-se em combate; à esquerda, a montanha de cume liso... tolo, espantado, atônito fiquei, e a vida inteira estudei a visão! "de fato, o constante autocontrole atormenta tanto quanto o receio de ser pego num papel diverso daquele que está acostumado a representar." quê? em meio à névoa estaria a torre? arredondada, baixa, sem janelas, construída em pedra escura, singular no mundo. o elfo que zomba da tormenta só aponta ao marujo a prateleira em que bate, na hora que a tábua estala. "certas coisas angustiam-nos mais do que há razão para tal, outras angustiam-nos antes que haja razão, outras angustiam-nos sem a mínima razão. isto é, ou exageramos o nosso sofrimento, ou o sentimos por antecipação, ou apenas o imaginamos." não via bem? talvez por causa da noite? o dia veio e tudo clareou! e ao ir embora, morreu o pôr-do-sol: os montes, qual gigantes indo à caça, a presa acuada espreitam, e, num golpe, acabam de uma vez com a criatura! "procure na mente daqueles que lamentam o que já desejaram, que falam em fugir de coisas que não podem deixar de ter; você vai compreender que eles estão se demorando por vontade própria em uma situação que eles declaram achar difícil e miserável de suportar. é assim, existem alguns homens que a escravidão mantém presos, mas há muitos mais que se apegam à escravidão."
03 on releituras de poemas de horror
aqui o terreno abria-se em feridas, em tons claros e
escuros; logo ali, surgiam calombos na terra, furúnculos; mais além, um
carvalho agonizante, no tronco uma fenda, uma boca torta, arreganhada,
desafiando a morte. "a cada dia que surge, receba-o como o melhor de todos
os dias e torne-o sua própria posse. devemos aproveitar o que vai embora."
e eu continuava tão longe do fim! não na distância, mas na noite; não mais
queria dar um passo sequer! súbito, uma grande ave negra, amigo de apoliôn,
alçou vôo perto de mim; talvez fosse o guia que eu precisava... "se queres
teus segredos guardados, guarda-os tu mesmo." pois, erguendo os olhos,
pude notar, apesar da penumbra, que a planície se transformara em colinas ... se
assim podemos chamar morros tão feiosos; de onde surgiram... resolva o leitor!
como sair dali era outro dilema. "agrada-me a pesada prata do meu rústico
pai, sem o nome do artífice, e uma mesa não tão vistosa pela variedade de
cores, nem famosa na cidade pelas suas sucessões de donos elegantes, mas, que
posta em uso, não desperte a volúpia de nenhum dos convidados nem lhes acenda a
inveja." pareceu-me, então, reconhecer algo que ocorreu comigo, deus sabe
como ... talvez num pesadelo. veio, pois, o fim da jornada. eu já desistia,
quando ouvi um estalo, como uma tranca: eu já estava dentro do covil!
quarta-feira, 2 de outubro de 2024
03 on releituras de poemas de horror
assim deve ter sido a arena cruel. por que se encurralaram, tendo os campos? não há pegadas na clareira maldita, nem rastros na saída. "nenhum homem pode ter uma vida pacífica que pense demais em alongá-la ou acredite que viver por muitas atribuições é uma grande bênção." uma poção abjeta os drogou, como fez o turco ao opor judeu e cristão por passatempo. adiante duzentos metros o que é isso? "o nosso objetivo é, primacialmente, viver de acordo com a natureza." que uso teria essa engenhoca ...roda, arado, um instrumento de tortura, pra dilacerar corpos? parecia ferro do inferno, esquecido na terra, ou trazido aqui para ser afiado. "esta medida de contenção só nos agradará se antes tomarmos gosto pela parcimônia, sem a qual nenhuma riqueza é o bastante, já que a modéstia também pode levar ao desperdício. como se trata de recurso que está ao alcance de nossas mãos, se assumirmos a parcimônia, a própria pobreza converte-se em riqueza." além, havia uma área cheia de tocos, depois a mata, um pântano, e, então, terra seca e arrasada (bobo brinca, inventa e destrói algo, até que o humor melhora e ele se vai!) , tudo ao redor era charco, cascalho, e areia preta.
02 on releituras de poemas de horror
que terrível local! por toda a trilha, um denso matagal se contorcia; dos chorões encharcados, poucos galhos pendiam, em desespero, suicidas; "é a qualidade em vez de quantidade que importa." porém, o rio, que tanto os ofendera, corria livremente, sem parar. enquanto atravessava o rio...meu deus! que medo de pisar sobre um cadáver, a cada passo, ou de que a lança, usada como sonda, fisgasse alguém p’la barba! "trabalhe duro para pensar nas dificuldades, tempos difíceis podem ser suavizados e cargas pesadas se tornam mais leves para aqueles que aplicam a pressão certa." talvez tenha espetado um animal, mas, oh! parecia o grito de um infante. "porque o amor ao agito não é diligência – é apenas a inquietação de uma mente assombrada." que alívio foi chegar à outra margem. o local seria melhor. ilusão! que inimigos, que luta foi travada, para devastar todo aquele solo? sapos presos em tanque envenenado? linces loucos, brigando numa jaula?
01 on releituras de poemas de horror
só mesmo carência, inércia e feiúra. que estranho. eram o quinhão da terra. “vede ou os olhos fechai”, a natureza dizia, irritada. "em seguida, a primeira coisa a evitar é desperdiçar nosso esforço ou em objetos inúteis ou de maneira inútil: quero dizer, imaginar ambições irrealizáveis ou reparar um pouco tarde, uma vez satisfeitos nossos desejos, que nos esforçamos sem proveito. em outras palavras, evitemos de um lado os esforços estéreis e sem resultado, e de outro lado os resultados desproporcionados ao esforço." “nada viceja; só mesmo o fogo do juízo final purga este lugar, livrando os meus seres”. se algum talo de cardo despontasse dentre os companheiros, era cortado; o mato tinha ciúmes. qual a causa dos furos e rasgões nas folhas toscas, sovadas, que jamais verdejariam? o andar de alguma besta as esmagou. "devemos tomar caminhadas ao ar livre para que a mente possa ser alimentada e atualizada sob ar livre e a respiração profunda." quanto à relva, era rala como pêlo de leproso; talos finos rompiam a lama, cuja liga era como sangue. um velho cavalo, cego e raquítico, sempre empacava quando ali passava. o garanhão do diabo era mais dócil! "nada se torna tão ofensivo tão rapidamente como o sofrimento. quando fresco, encontra alguém para consolá-lo, mas quando se torna crônico, é ridicularizado e com razão." vivo? a mim mais parecia estar morto, pêlo macilento, pescoço caído, olhos fechados sob a crina turva; algo tão grotesco e infame era raro. jamais vi besta assim tão detestável; devia ser cruel p’ra merecer a dor.
00 on releituras de poemas de horror
logo vi, cada palavra era mentira; o velho aleijado, de olhar maldoso, ávido, queria em mim constatar o efeito da mentira; mal podia disfarçar o riso, ao canto da boca, diante de mais uma de suas vítimas. "deixe sua filosofia lidar com suas próprias falhas ao invés de ser uma maneira de reclamar dos erros dos outros." que mais faria ele, com o cajado? além de desviar, com suas mentiras, viajantes que o encontram no caminho, e pedem informação? riso mórbido, com muleta escreve meu epitáfio, por passatempo, na estrada empoeirada. "porque o amor ao agito não é diligência é apenas a inquietação de uma mente assombrada." talvez, seguindo o seu conselho, eu tome a trilha sinistra que, todos sabem, leva à torre sombria. e, de bom grado, segui a direção que ele apontou; mais do que orgulho ou esperança busquei: importante era saber que havia o fim... "a natureza quer que eu faça duas coisas: agir e dedicar-me à reflexão. tanto uma quanto outra realizo, pois não pode haver contemplação sem alguma forma de ação." pois, nas minhas andanças mundo afora, na busca de longos anos, a esperança virou fantasma incapaz de lidar com a alegria e o alarde do sucesso... já não censurava a fonte que havia no coração, alegando fracasso. "é tarde para poupar só quando resta o fundo da garrafa."
saída ziqu-zira <ação> <mudar> 06 penso ser o artista à ser contemplado e...a arte feita com areia e...vibrações se refere às ...
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