quinta-feira, 3 de outubro de 2024

03 on releituras de poemas de horror


 

 

aqui o terreno abria-se em feridas, em tons claros e escuros; logo ali, surgiam calombos na terra, furúnculos; mais além, um carvalho agonizante, no tronco uma fenda, uma boca torta, arreganhada, desafiando a morte. "a cada dia que surge, receba-o como o melhor de todos os dias e torne-o sua própria posse. devemos aproveitar o que vai embora." e eu continuava tão longe do fim! não na distância, mas na noite; não mais queria dar um passo sequer! súbito, uma grande ave negra, amigo de apoliôn, alçou vôo perto de mim; talvez fosse o guia que eu precisava... "se queres teus segredos guardados, guarda-os tu mesmo." pois, erguendo os olhos, pude notar, apesar da penumbra, que a planície se transformara em colinas ... se assim podemos chamar morros tão feiosos; de onde surgiram... resolva o leitor! como sair dali era outro dilema. "agrada-me a pesada prata do meu rústico pai, sem o nome do artífice, e uma mesa não tão vistosa pela variedade de cores, nem famosa na cidade pelas suas sucessões de donos elegantes, mas, que posta em uso, não desperte a volúpia de nenhum dos convidados nem lhes acenda a inveja." pareceu-me, então, reconhecer algo que ocorreu comigo, deus sabe como ... talvez num pesadelo. veio, pois, o fim da jornada. eu já desistia, quando ouvi um estalo, como uma tranca: eu já estava dentro do covil!

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