domingo, 29 de setembro de 2024

Faust 05


 

 

POETA:

E não vedes como é vil tal mister?

Como é indigno do artista que se preza?

A fancaria de um amador qualquer

É para vós lei, já vejo, não vos lesa!

DIRECTOR:

Essa censura a mim pouco me afecta:

Quem quiser atingir a sua meta

Tem de servir­se da melhor ferramenta.

Lembrai­vos que esta massa não é cinzenta,

Pensai, ao escrever, a quem fazeis assédio!

Alguns vêm trazidos pelo tédio, Outros comeram que nem animais,

E quem me parece mais sem remédio São os que vêm de ler os jornais.

Vêm por vir, como para as mascaradas, Só a curiosidade os faz voar;

As damas pavoneiam­se, enfeitadas,

E representam sem se fazer pagar.

Com que sonhais nos píncaros da poesia?

Que vos alegra na casa cheia de gente?

Vede os mecenas! Desta fidalguia

Metade é bronca, metade é indiferente.

Depois da peça, este quer jogar cartas,

Outro, uma noite louca com uma pega.

E para tal gente ides bater às portas

Das musas, pobres tolos? Já chega!

Ouvide bem: dai mais e sempre mais,

E assim o alvo não ireis errar.

Procurai confundir, que contentar

Os homens não conseguireis…

Que é isso agora? Arrebatamento ou dor?


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