POETA:
E não vedes como é vil tal mister?
Como é indigno do artista que se preza?
A fancaria de um amador qualquer
É para vós lei, já vejo, não vos lesa!
DIRECTOR:
Essa censura a mim pouco me afecta:
Quem quiser atingir a sua meta
Tem de servirse da melhor ferramenta.
Lembraivos que esta massa não é cinzenta,
Pensai, ao escrever, a quem fazeis assédio!
Alguns vêm trazidos pelo tédio, Outros comeram que nem animais,
E quem me parece mais sem remédio
São os que vêm de ler os jornais.
Vêm por vir, como para as mascaradas,
Só a curiosidade os faz voar;
As damas pavoneiamse, enfeitadas,
E representam sem se fazer pagar.
Com que sonhais nos píncaros da poesia?
Que vos alegra na casa cheia de gente?
Vede os mecenas! Desta fidalguia
Metade é bronca, metade é indiferente.
Depois da peça, este quer jogar cartas,
Outro, uma noite louca com uma pega.
E para tal gente ides bater às portas
Das musas, pobres tolos? Já chega!
Ouvide bem: dai mais e sempre mais,
E assim o alvo não ireis errar.
Procurai confundir, que contentar
Os homens não conseguireis…
Que é isso agora? Arrebatamento ou dor?

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