quinta-feira, 3 de outubro de 2024

on releitura a volta ao parafuso 02


 

 

ligue o trânsito da cidade. e assim, do nada, nós estamos transportados para a década de 1890! é tão realista. emocionante, não é? dê-nos a tempestade. temos mais sutis efeitos sonoros. mais brisas suaves, pássaros cantando. e alguns mais para efeito emotivo. isto é depois tudo... uma história de terror. claro. a emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido. eu acho isso ótimo. vai adicionar tanto... atmosfera para o público. não apenas o público, nem a morte, nem a fatalidade, nem a ansiedade, podem causar o insuportável desespero que resulta de perder a própria identidade. afeta todos os artistas também. leva as coisas para o próximo nível. você verá. aquilo que não está morto pode jazer eternamente e com eras estranhas, até a morte pode morrer. oh, merda. olha só já passa das 22:22. precisamos mesmo começar. quase ninguém dança sóbria, a não ser que esteja louco. olha, não se preocupe com a sua fantasia hoje à noite. nós resolveremos tudo isso amanhã. infeliz é aquele a quem as lembranças da infância trazem apenas medo e tristeza. você precisa de um copo de água? não, estou bem para começar. bem. quebre uma perna. vejo vocês no intervalo. o mundo é deveras cômico, mas a piada está na raça humana. sim. a atriz estou substituindo... ela está toda certo? sim, ela está bem e passando bem. estamos todos esperançosos de que ela fará uma recuperação total. se você não se importa eu perguntando, o que aconteceu? ela teve um colapso. bem aqui ontem à noite. o jardim... existe um jardim antigo com o qual às vezes sonho, sobre o qual o sol de maio despeja um brilho tristonho; onde as flores mais vistosas perderam a cor, secaram; e as paredes e as colunas são idéias que passaram. isso é terrível! crescem heras de entre as fendas, e o matagal desgrenhado sufoca a pérgula, e o tanque foi pelo musgo tomado. pelas áleas silenciosas vê-se a erva esparsa brotar, e o odor mofado de coisas mortas se derrama no ar. sim, foi muito repentino. não há nenhuma criatura viva no espaço ao redor, e entre a quietude das cercas não se ouve qualquer rumor. e, enquanto ando, observo, escuto, uma ânsia às vezes me invade de saber quando é que vi tal jardim numa outra idade. todos nós temos trabalhado muito longas horas mas ninguém viu chegando. mas ela está se recuperando agora. a visão de dias idos em mim ressurge e demora, quando olho as cenas cinzentas que sinto ter visto outrora. e, de tristeza, estremeço ao ver que essas flores são minhas esperanças murchas – e o jardim, meu coração. ela é a segunda atriz a ficar doente. é isso mesmo? sim, nós tivemos um pouco de azar aí. bem, o que aconteceu?

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  saída ziqu-zira <ação> <mudar> 06 penso ser o artista à ser contemplado e...a arte feita com areia e...vibrações se refere às ...