ligue o trânsito da cidade. e assim, do nada, nós estamos
transportados para a década de 1890! é tão realista. emocionante, não é? dê-nos
a tempestade. temos mais sutis efeitos sonoros. mais brisas suaves, pássaros
cantando. e alguns mais para efeito emotivo. isto é depois tudo... uma história
de terror. claro. a emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o
mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido. eu acho
isso ótimo. vai adicionar tanto... atmosfera para o público. não apenas o
público, nem a morte, nem a fatalidade, nem a ansiedade, podem causar o
insuportável desespero que resulta de perder a própria identidade. afeta todos
os artistas também. leva as coisas para o próximo nível. você verá. aquilo que
não está morto pode jazer eternamente e com eras estranhas, até a morte pode
morrer. oh, merda. olha só já passa das 22:22. precisamos mesmo começar. quase
ninguém dança sóbria, a não ser que esteja louco. olha, não se preocupe com a
sua fantasia hoje à noite. nós resolveremos tudo isso amanhã. infeliz é aquele
a quem as lembranças da infância trazem apenas medo e tristeza. você precisa de
um copo de água? não, estou bem para começar. bem. quebre uma perna. vejo vocês
no intervalo. o mundo é deveras cômico, mas a piada está na raça humana. sim. a
atriz estou substituindo... ela está toda certo? sim, ela está bem e passando
bem. estamos todos esperançosos de que ela fará uma recuperação total. se você
não se importa eu perguntando, o que aconteceu? ela teve um colapso. bem aqui
ontem à noite. o jardim... existe um jardim antigo com o qual às vezes sonho,
sobre o qual o sol de maio despeja um brilho tristonho; onde as flores mais
vistosas perderam a cor, secaram; e as paredes e as colunas são idéias que
passaram. isso é terrível! crescem heras de entre as fendas, e o matagal
desgrenhado sufoca a pérgula, e o tanque foi pelo musgo tomado. pelas áleas
silenciosas vê-se a erva esparsa brotar, e o odor mofado de coisas mortas se
derrama no ar. sim, foi muito repentino. não há nenhuma criatura viva no espaço
ao redor, e entre a quietude das cercas não se ouve qualquer rumor. e, enquanto
ando, observo, escuto, uma ânsia às vezes me invade de saber quando é que vi
tal jardim numa outra idade. todos nós temos trabalhado muito longas horas mas
ninguém viu chegando. mas ela está se recuperando agora. a visão de dias idos
em mim ressurge e demora, quando olho as cenas cinzentas que sinto ter visto
outrora. e, de tristeza, estremeço ao ver que essas flores são minhas
esperanças murchas – e o jardim, meu coração. ela é a segunda atriz a ficar
doente. é isso mesmo? sim, nós tivemos um pouco de azar aí. bem, o que
aconteceu?

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