ACTOR CÓMICO:
Da mocidade, amigo, precisas tu, e bem,
Quando o inimigo te aperta na peleja,
Se, insinuantes, a ti se prenderem
Mulher ou moça que se veja,
Quando da meta que só o esforço alcança
A coroa de louros já te acenar,
Quando, depois de desvairada dança,
As noites em festins fores afogar.
Mas fazer vibrar com graça e ânsia
As cordas da conhecida lira,
E perseguir em fantasia e errância
O alvo da nossa própria mira —
Essa é, velhos senhores, vossa missão,
E isto em nada vos afecta a dignidade.
A idade não nos torna infantis, não,
Descobre em nós crianças de verdade.

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