POETA:
Ah, não me fales dessa turba sem rosto!
Estiola o espírito ante a sua imagem.
Escondeme esse tropel, que a contragosto
Nos arrasta numa grande voragem.
Não, levame ao refúgio que foi posto
No céu para o poeta e sua miragem,
Onde Amor e Amizade, com divina mão,
Cultivam o bemestar do coração.
Ah, o que aí de mais fundo nos nasceu,
O que a boca balbuciou, expectante,
O que aqui fracassou e ali venceu,
Levao, devorao o caótico instante.
Só quando a roda dos anos o poliu
Surge enfim já perfeito e imponente.
A aparência brilha, mas não dura,
Só o autêntico terá vida futura.

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