domingo, 29 de setembro de 2024

Faust 02


 

 

POETA:

Ah, não me fales dessa turba sem rosto!

Estiola o espírito ante a sua imagem.

Esconde­me esse tropel, que a contragosto

Nos arrasta numa grande voragem.

Não, leva­me ao refúgio que foi posto

No céu para o poeta e sua miragem,

Onde Amor e Amizade, com divina mão,

Cultivam o bem­estar do coração.

Ah, o que aí de mais fundo nos nasceu,

O que a boca balbuciou, expectante,

O que aqui fracassou e ali venceu,

Leva­o, devora­o o caótico instante.

Só quando a roda dos anos o poliu

Surge enfim já perfeito e imponente.

A aparência brilha, mas não dura,

Só o autêntico terá vida futura.

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